A frase que interessa ao setor não foi sobre SAF. Foi sobre quem paga a conta quando um clube quebra.
No Confut, no Rio de Janeiro, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, disse que o modelo associativo do futebol brasileiro "está em completa decadência" porque presidentes fazem "qualquer coisa pelo voto" sem considerar a instituição. E foi além do diagnóstico: defendeu que exista "uma punição para esse tipo de dirigente", apontando que hoje "o presidente pode fazer o que quiser, sai do clube e não acontece absolutamente nada". As declarações estão no Lance!.
O ponto é regulatório, não retórico. A Lei da SAF criou responsabilidade patrimonial para administrador de sociedade anônima, mas o clube associativo segue sem equivalente prático. Quem assina um contrato ruinoso, antecipa receita de anos futuros e entrega o mandato com a dívida rolada não responde com patrimônio próprio. É essa assimetria que ela colocou na mesa, e ela vale dinheiro: muda o custo de capital de quem empresta a clube associativo.
Leila também respondeu ao argumento da moda no setor, o de que algumas SAFs fracassaram. Reconheceu os casos, mas lembrou que existem "dezenas de clubes associativos aqui no Brasil que estão quebrados". A comparação é desconfortável porque a SAF fracassada aparece no noticiário e o associativo quebrado aparece em execução fiscal.
Sobre si mesma, disse que nunca usou o Palmeiras em causa própria e que deixa o cargo em dezembro de 2027 de consciência tranquila.
O que observar a seguir é se a pauta sai da conferência e vira projeto. Responsabilização pessoal de dirigente depende de mudança legal, e o calendário eleitoral dos grandes clubes associativos em 2027 é o teste real de apetite do setor por isso.
Foto: Brazil Photo Press/Alamy




