O Palmeiras lançou nesta sexta-feira a terceira camisa da temporada, desenvolvida com a Puma, e perdeu o jogo em que ela deveria aparecer. A CBF comunicou o clube de que o uniforme não pode ser usado contra o Vasco, no domingo, por questões técnicas ligadas à tecnologia de impedimento semiautomático, segundo a Gazeta Esportiva. A estreia foi remarcada para o clássico com o Santos, dia 26, pela Copa do Brasil.
O motivo é novo no vocabulário do licenciamento esportivo. O Nubank Parque opera com cerca de 30 câmeras que processam imagem em tempo real para marcar impedimento, e a cor ou o padrão da peça atrapalha esse rastreamento. Na prática, a tecnologia de arbitragem virou uma restrição de design que fornecedora e clube passam a ter que respeitar antes de aprovar uma coleção.
O custo comercial é concreto. A peça é predominantemente azul, traz a Cruz de Saboia usada pelo Palestra Italia em 1916, mapa da Itália na barra e tipografia dourada, e a campanha "Somos Palestra Italia" foi promovida em Milão, Bérgamo e no Vale de Aosta. Ou seja, o clube montou ativação internacional e adiou a vitrine principal, que é o jogo de Brasileirão em casa, com transmissão aberta e público pagante.
O calendário salva parte da conta. A nova data cai no aniversário de 112 anos do clube e num clássico de mata-mata, o que dá um enquadramento até melhor para a narrativa da campanha. Perde-se audiência de Brasileirão e ganha-se simbolismo de data.
O que observar é se isso vira regra. Se a CBF passar a homologar uniforme em função das câmeras, todo lançamento de terceira camisa no Brasil ganha uma etapa técnica antes da produção, e isso mexe com prazo de coleção e com o contrato de fornecedora.
Foto: Divulgação/Palmeiras




