O Vasco pediu R$ 150 milhões de financiamento extraordinário e continua sem receber. A 4ª Vara Empresarial manteve a decisão que trava a liberação do DIP, o crédito que socorre empresas em recuperação judicial, e o motivo do bloqueio não é burocracia. É prestação de contas.
Segundo o Lance!, a magistrada cobrou explicações sobre projeções financeiras, investimentos previstos e o destino do financiamento anterior. O clube havia sido autorizado a captar R$ 40 milhões em julho e encerrou o mês com R$ 15 milhões de superávit, o que enfraquece o argumento de urgência de caixa. Do novo pedido, quase R$ 90 milhões estão carimbados como investimento, classificado na decisão como atípico para uma empresa em recuperação. Há ainda questionamento sobre pagamentos em duplicidade a escritórios de advocacia.
O detalhe que muda a leitura é quem financia. O dinheiro viria do mesmo grupo que apresentou proposta vinculante para comprar participação na Vasco SAF. Ou seja, o comprador em potencial financia o vendedor antes do negócio fechar, e é exatamente esse desenho que a Justiça olha com lupa, porque um DIP mal calibrado pode contaminar o preço da SAF lá na frente.
O Administrador Judicial, o watchdog e o gatekeeper têm 48 horas para esclarecer os pontos levantados. O recurso tramita no Tribunal de Justiça sob relatoria do desembargador Cesar Cury.
O que observar é o encadeamento. Sem DIP, o Vasco depende da venda da SAF para respirar. Com a venda sob suspeita de estar sendo precificada por quem empresta, o processo trava dos dois lados ao mesmo tempo.
Foto: Matheus Lima/Vasco




