O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo colocou um número em público que o clube evita cravar. Olten Ayres afirmou que a dívida ultrapassou R$ 1 bilhão. "Era em torno de R$ 900 milhões até o fim do ano passado. Hoje já devemos estar acima de R$ 1 bilhão", disse à CNN Brasil, em entrevista ao CNN Esportes S/A que vai ao ar no domingo.
A fala tem peso porque vem de dentro da estrutura de governança, não da oposição. Ayres classificou a gestão atual como "absolutamente amadora" e defendeu profissionalização como condição para atrair investidor. O argumento dele é patrimonial: o São Paulo tem estádio próprio e marca, e o valor desse patrimônio seria cinco ou seis vezes superior ao passivo.
A receita proposta é captar no mercado em vez de rolar dívida bancária, dado o custo do dinheiro no Brasil e a projeção de juro alto pelos próximos quatro a cinco anos. É o mesmo raciocínio que sustentou o adiantamento de bilheteria com a Ticketmaster aprovado nesta semana pelo próprio Conselho: trocar receita futura por caixa hoje sai mais barato que crédito bancário, e piora a estrutura de capital do clube no médio prazo.
O São Paulo entra num grupo de pelo menos cinco clubes brasileiros com passivo acima de R$ 1 bilhão. A diferença entre eles não está no tamanho da dívida, está na qualidade do ativo que sustenta a conta.
O que observar é o próximo balanço e a eleição. Enquanto o clube não abrir o custo real do serviço da dívida, o debate segue sendo sobre estoque, e estoque não quebra clube nenhum. Fluxo, sim.
Foto: Divulgação/São Paulo FC




