Liga e emissora costumam sentar do lado oposto da mesa para discutir preço. LaLiga e Canal+ sentaram do mesmo lado para discutir quem está consumindo o produto sem pagar.
As duas anunciaram uma aliança contra a pirataria audiovisual que cobre cerca de 50 países, entre Europa, África Subsaariana e Haiti. A LaLiga, sob comando de Javier Tebas, entra com inteligência e coordenação das ações legais e técnicas. O Canal+, dirigido por Maxime Saada, opera as medidas contra as redes ilegais e compartilha o que apura. As ações previstas incluem notificações, bloqueio de domínios e de IP e remoção rápida de conteúdo em várias jurisdições. O acordo foi detalhado pelo Futebol e Negócios.
O número que justifica o esforço é a perda estimada, entre 600 e 700 milhões de euros por ano no mercado espanhol, considerando também a exibição irregular em bares e restaurantes. Para uma liga cuja receita central vem da venda de direitos em torno de 70 países, cada ponto de audiência desviado entra direto na conta da próxima negociação de contrato.
O recado interessa ao Brasil por um motivo simples. A CBF acaba de fechar um novo ciclo de comercialização da Copa do Brasil que, segundo a própria entidade, prevê mais de R$ 4 bilhões entre 2027 e 2030, com a competição fatiada em pacotes e distribuída entre TV aberta e streaming. Quanto mais fragmentado o produto, mais pontos de vazamento ele tem, e mais caro fica proteger o que foi vendido.
O que observar é se essa aliança vira modelo replicável. Se funcionar, a próxima liga a buscar parceiro de distribuição para caçar sinal irregular não vai ser europeia.
Foto: 2Playbook




