O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo por 224 votos a 2, com 5 abstenções, em sessão híbrida no Morumbis. Junto com a expulsão, os conselheiros aprovaram a cobrança de ressarcimento de despesas pessoais lançadas no cartão corporativo, valor que, segundo o relatório da comissão de ética, giraria em torno de R$ 1 milhão. O placar e os termos da decisão foram divulgados e estão na Gazeta Esportiva.
O placar é o dado mais relevante. Não foi uma votação disputada, foi um recado institucional quase unânime sobre a gestão que comandou o clube de 2021 a 2026. A Comissão de Ética e Disciplina recomendou a expulsão por unanimidade, apontando possível gestão temerária e suspeita de irregularidades financeiras. A base estatutária usada foi o artigo 34, que trata de associado responsabilizado por conduta administrativa irregular.
Para quem olha o clube como negócio, o efeito prático não está no nome que sai da lista de sócios. Está na sinalização para credor, patrocinador e conselheiro de que a atual gestão pretende separar contabilmente o passado do presente. Um clube que abre processo de ressarcimento contra ex-dirigente está dizendo ao mercado que a dívida herdada tem responsável identificável, o que muda o tom de qualquer renegociação.
Casares não compareceu à audiência da comissão de ética em 31 de julho e apresentou apenas defesa escrita. Sem participação no processo interno, a discussão tende a migrar para a esfera judicial, que é onde a cobrança de R$ 1 milhão realmente se resolve.
O que observar a seguir é o próximo balanço do São Paulo e se essa cobrança aparece registrada como ativo a recuperar. Enquanto não aparecer, é decisão política, não dinheiro de volta.
Foto: Divulgação/SPFC




