Depois de mais de 30 anos repassando a comercialização da Copa do Brasil para agências, a CBF vai vender patrocínio direto. O contrato com a Brax, que hoje detém esses direitos, termina em dezembro de 2026 e não será renovado no formato atual. A mudança foi noticiada pela Máquina do Esporte.
A lógica é a mesma do movimento nos direitos de mídia: capturar internamente a margem que hoje fica com o intermediário. Quem vende direto fica com o valor cheio do contrato e assume o custo de manter equipe comercial, prospecção e atendimento. Para uma competição que acabou de valorizar 80% na venda de transmissão, o cálculo de escala mudou.
Os novos pacotes deixam de ser só placa de publicidade. A CBF pretende montar cotas que juntam exposição no estádio, ingressos, propriedades de relacionamento e entrega comercial dentro da transmissão oficial, que é o inventário que ganhou valor justamente porque agora todos os jogos terão imagem.
Há um efeito colateral que interessa a um setor específico. A confederação quer restringir a presença de vários patrocinadores do mesmo segmento, tomando como referência o padrão de Copa do Mundo, Champions League e Libertadores. Na prática, isso mexe com as casas de aposta, que hoje ocupam várias posições ao mesmo tempo na competição. Menos anunciantes por categoria significa cota mais cara para quem ficar e nenhuma vaga para quem sobrar.
O que observar a seguir é o preço da cota master. A CBF ainda não divulgou valores nem quantos patrocinadores pretende manter por edição, e é esse número que vai dizer se a conta de vender direto fecha melhor do que a comissão que ela deixa de pagar.
Foto: Nelson Terme/CBF




