A votação foi folgada e o negócio ainda não fechou. Em assembleia geral extraordinária nesta sexta-feira (23), em formato híbrido, os sócios do Vasco aprovaram com 90% dos votos a venda de 90% das ações da SAF para a Almirante Participações, do empresário Marcos Lamacchia. O clube associativo fica com 10%, depois de o estatuto reduzir a fatia mínima, que era de 20%. O resultado foi divulgado pelo Esporte News Mundo.
O desenho financeiro é o que interessa ao mercado. Segundo a reportagem, o comprador se compromete com pelo menos R$ 500 milhões para o futebol, em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC. Quando o conselho votou a proposta, o Times Brasil informou que esse dinheiro não pode ser usado para pagar dívida até 2030. Há ainda R$ 120 milhões para o CT em até dez anos, R$ 30 milhões para a base em dois anos e aporte extra se faltar caixa para a recuperação judicial e o passivo fiscal. São Januário fica com o clube, alugado à SAF por R$ 3 milhões por ano.
O valor total varia conforme o veículo. O Esporte News Mundo fala em operação que pode superar R$ 2 bilhões. O Times Brasil, na fase do conselho, estimou cerca de R$ 4 bilhões, contando a dívida em recuperação judicial, acima de R$ 1 bilhão, que passa ao comprador. O clube não consolidou um número oficial único.
O ponto de travamento é regulatório. A Anresf investiga possível conflito de interesse, porque Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto a análise durar, Vasco e Palmeiras não podem negociar entre si. O contrato também restringe distribuição de dividendos e venda da participação por dez anos, com garantia pessoal de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa.
O que observar agora é o parecer da agência. Sem ele, a assembleia vale como autorização interna, não como transferência de controle. A data dessa decisão é o próximo número que importa para o Vasco.
Foto: Matheus Lima/Vasco




