Ninguém apareceu para cobrir. A Almirante Participações e Empreendimentos, empresa de Marcos Lamacchia, venceu na sexta-feira o leilão judicial de 90% da SAF do Vasco, na 4ª Vara Empresarial do Rio. A proposta entrou como stalking horse, ou seja, a oferta-base que abre a disputa, e não recebeu lance concorrente. A Justiça homologou o resultado no mesmo dia, segundo o Lance!.
O pacote tem quatro partes, de acordo com o BP Money. São R$ 500 milhões para o futebol profissional, pagos em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões e que não podem ser usados para quitar dívida antiga. Há ainda R$ 120 milhões para o CT em dez anos e R$ 30 milhões para a base em dois anos. Por fim, a Almirante assume os credores da recuperação judicial e as dívidas fiscais, previdenciárias e extrajudiciais. Somando tudo, o BP Money fala em mais de R$ 2 bilhões. O Lance! estima perto de R$ 3 bilhões ao incluir as obrigações operacionais.
O desenho importa. O dinheiro novo é travado para o futebol, e o passivo sai do clube associativo para o comprador. Para o Vasco, que vive sob recuperação judicial, é a troca de um credor difuso por um controlador com obrigação de aporte.
O ponto sensível é outro. Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e os dois clubes dividem a Sportingbet como patrocinadora. A Anresf, agência que regula a sustentabilidade do futebol, avalia um possível conflito de interesse.
O negócio ainda depende de duas votações internas: o Conselho Deliberativo e depois a Assembleia Geral Extraordinária de sócios. Nenhuma das duas tem data marcada. A análise da Anresf é a terceira trava, e a mais difícil de prever.
Foto: Matheus Lima/Vasco




