A venda da SAF do Vasco deixou de ser negociação e virou processo com regra escrita.
O edital publicado pela Justiça na sexta-feira estabelece as condições da disputa por 90% do capital social da SAF, e a proposta de Marcos Lamacchia passa a funcionar como referência mínima para quem quiser competir. Os termos estão detalhados no Poder360 e no SRZD.
O piso é o número que organiza todo o resto. Segundo o edital, são R$ 500 milhões destinados exclusivamente ao departamento de futebol, em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC. Somam-se R$ 120 milhões para o centro de treinamento ao longo de dez anos, R$ 30 milhões para a base em dois anos e até R$ 150 milhões em projetos de incentivo fiscal na década. Cerca de R$ 80 milhões em financiamento DIP são convertidos em capital social.
O que chama atenção, porém, não é o valor. É a estrutura de garantia. O edital exige conta escrow equivalente a três meses de obrigações, garantias pessoais, proibição de distribuição de dividendos por dez anos e lock-up das ações pelo mesmo prazo. Traduzindo para quem avalia o ativo: o comprador coloca dinheiro na frente e não retira nada por uma década.
Esse desenho filtra o tipo de investidor que consegue entrar na disputa. Fundo com horizonte curto de saída não olha para uma estrutura assim. Sobra capital paciente ou investidor com interesse não estritamente financeiro no clube, que é exatamente o perfil de quem já está na mesa.
O ponto em aberto é quantas propostas concorrentes de fato aparecem. A publicação do edital abre a janela, mas o piso alto e o lock-up funcionam como barreira de entrada. O próximo dado relevante é a lista de interessados habilitados.
Foto: Reprodução de vídeo/SRZD




