A SDC Sports levou o projeto ao Conselho Deliberativo do Santos na noite de segunda-feira e saiu de lá sem nenhuma decisão tomada, porque decisão não era o objetivo. A reunião serviu para os sócios do grupo americano se apresentarem aos conselheiros e ao Comitê de Gestão e detalharem o plano de investimento.
Os números que circulam vêm da proposta inicial, apresentada em fevereiro: até R$ 1 bilhão em investimento no futebol e cerca de R$ 1 bilhão em dívidas assumidas, em troca de 80% das ações da futura SAF. O clube ficaria com participação minoritária. O relato da reunião está no ABCD Jornal, e a apuração de que a proposta formal segue sob sigilo por cláusula de confidencialidade é da Máquina do Esporte.
O obstáculo não é o preço, é o estatuto. O texto em vigor permite ceder no máximo 49% do futebol, metade do que a SDC pede. Sem reforma estatutária aprovada em Assembleia Geral de Associados, os 80% não existem juridicamente, por melhor que seja a apresentação feita aos conselheiros.
Há ainda um detalhe que o mercado costuma subestimar: o term sheet assinado em agosto é não vinculante. Ele organiza a conversa, não obriga ninguém a fechar. Entre a assinatura e o contrato definitivo faltam a diligência confirmatória, o aval do Conselho e a assembleia, tudo isso em ano de eleição no clube, quando qualquer votação vira disputa política.
O calendário é o que vale acompanhar daqui para frente: primeiro a votação no Conselho, depois a convocação da assembleia para mudar o estatuto. Enquanto o limite de 49% estiver de pé, não há SAF de 80% para vender.
Foto: Raul Baretta/Santos




