Foram 175 votos a favor, 26 contra e três abstenções. Com 86% dos 204 conselheiros presentes, o Conselho Deliberativo do Vasco aprovou na terça-feira a venda de 90% da SAF para a Almirante Participações e Empreendimentos, de Marcos Lamacchia e Mário Junqueira. O clube associativo fica com 10% e direitos especiais.
O pacote, detalhado pelo TMC, tem três camadas. A primeira é o futebol: R$ 100 milhões por ano até somar R$ 500 milhões. A segunda é estrutura: R$ 150 milhões, sendo R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional e R$ 30 milhões para a base. A terceira é o passivo: o comprador assume obrigações estimadas em R$ 1,5 bilhão, entre recuperação judicial e dívidas. Somado, o aporte pode passar de R$ 2 bilhões, segundo o veículo. O Lance! trata a operação como avaliada em cerca de R$ 4 bilhões.
As travas são a parte do contrato que mais interessa a quem acompanha SAF. Não há distribuição de dividendos por dez anos, e a Almirante não pode vender sua participação no mesmo período. O Vasco fica com procuração para executar a dívida em caso de inadimplência. São Januário entra com exclusividade de uso até 2030 e aluguel de R$ 3 milhões por ano, com R$ 2 milhões adicionais se houver obras.
Dois pontos seguem abertos. O primeiro é societário: a venda ainda depende de uma Assembleia Geral Extraordinária dos sócios, sem data marcada, com expectativa de que ocorra ainda em 2026, segundo o TMC. O segundo é regulatório: a Anresf apura possível conflito de interesses, já que Lamacchia é filho de criação de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e vedou transações comerciais entre os dois clubes durante a investigação.
A data da AGE é o próximo número a observar. Até lá, o dinheiro não entra.
Foto: Dikran Sahagian/Vasco




