A decisão mais cara do ano no Vasco não acontece em São Januário. Acontece nesta sexta-feira, entre 10h e 20h, numa assembleia geral extraordinária.
Os sócios votam a venda de 90% das ações da SAF para a Almirante Participações e Empreendimentos, empresa ligada a Marcos Lamacchia. São 7.195 associados aptos, em formato híbrido, na Sede Náutica da Lagoa e online. A aprovação exige maioria de 50% mais um dos votos. Junto vai a mudança no estatuto que reduz de 20% para 10% a fatia mínima que o clube associativo precisa manter na SAF. As regras da votação estão no Lance!.
O Conselho Deliberativo já aprovou a proposta em 6 de outubro, por 175 votos a 26. Segundo o A Tarde, a operação pode chegar a R$ 4 bilhões, com investimento mínimo de R$ 500 milhões, pagamento das dívidas dentro da recuperação judicial e R$ 15 milhões por ano ao clube social. O pai de Marcos, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, aparece como garantidor.
O tamanho do buraco explica a pressa. No edital publicado em julho, a proposta previa R$ 1 bilhão para quitar uma dívida bruta de R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão para cobrir cinco anos de déficit de caixa, segundo o Terra. A mesma reportagem apontava despesas de R$ 800 milhões contra receita de R$ 500 milhões. Os valores mudaram ao longo da negociação e o clube não detalhou publicamente a composição final.
O sim da assembleia não fecha o negócio. A venda passa pelo leilão da unidade que concentra as ações dentro da recuperação judicial, pela homologação na Justiça e pela Anresf, que investiga possível conflito de interesse: Marcos é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
O próximo número a observar é o placar da assembleia. Uma aprovação apertada dá munição à oposição para contestar o processo nas etapas seguintes. Uma folgada encurta o caminho até a Anresf.
Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Folhapress




