A conta dos direitos esportivos subiu tanto que quem compra começou a pedir trégua em público.
Daniela Beyruti, presidente do SBT, defendeu que a radiodifusão se una para conter a disparada dos valores pagos por transmissão esportiva. A frase que resume a posição dela foi direta: são cinco emissoras principais e duas associações, e ela pergunta onde já se viu isso. A declaração foi dada à coluna de Flávio Ricco e reproduzida pela Máquina do Esporte.
O número que sustenta o argumento é global. Segundo projeção da Global Media Properties citada na entrevista, o gasto mundial com direitos esportivos deve alcançar US$ 67,34 bilhões em 2026, contra US$ 48,6 bilhões em 2019. São cerca de 38% de alta em sete anos, num período em que a audiência linear encolheu em quase todo mercado relevante.
A divisão que ela aponta é concreta. SBT, Band e Globo respondem pela Abert. Record, RedeTV!, CNT e Jovem Pan estão na Abratel. Sem posição comum, cada leilão vira disputa aberta entre compradores que precisam do mesmo produto, e o vendedor não tem motivo nenhum para segurar o preço.
O detalhe mais incômodo para o setor é o que aconteceu na Copa do Mundo. A transmissão pelo YouTube em parceria com a CazéTV bateu recordes de audiência, o que significa que a TV aberta agora disputa o mesmo direito com um comprador que não depende de grade, de praça nem de afiliada.
O que observar a seguir é a próxima renovação de peso no Brasil. Discurso de união costuma durar exatamente até a primeira emissora decidir que vale a pena pagar sozinha.
Foto: Rogério Pallatta/SBT




