A proibição tirou a casa de apostas da camisa. Não tirou o grupo dono da casa de apostas.
O São Paulo entra em campo nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, com a logomarca da Superscore no espaço principal do uniforme. A Superscore é uma plataforma de dados esportivos que pertence ao mesmo conglomerado da Superbet, patrocinadora máster do clube. O Fluminense, que tem o mesmo parceiro, adota a mesma solução, segundo a Máquina do Esporte.
O movimento responde à Medida Provisória assinada pelo presidente Lula, que proibiu as apostas e, com elas, a publicidade das operadoras. A regra entrou em vigor em 5 de outubro e atinge 14 clubes da Série A que têm patrocínio de casas de apostas.
O que a troca compra é tempo. O contrato entre São Paulo e Superbet continua válido, e a diretoria aguarda uma decisão judicial que suspenda a proibição ou o julgamento, no STF, das ações sobre a constitucionalidade das apostas, que tramitam desde 2022. Enquanto isso, manter uma marca do grupo no peito preserva a relação comercial e evita o espaço vazio. A reportagem não informa se o valor pago ao clube muda com a substituição, e esse é o dado que define se a saída é solução ou só curativo.
Os caminhos se dividiram em menos de uma semana. O Atlético-MG rescindiu com a H2bet. O Corinthians viajou para Porto Alegre com camisa sem máster aplicado. São Paulo e Fluminense optaram pela marca irmã, o modelo mais simples de executar para quem tem um patrocinador com portfólio fora da aposta.
O risco é regulatório. Uma marca de conteúdo com nome e identidade próximos aos da operadora pode ser lida como publicidade indireta, discussão conhecida de outros setores com propaganda restrita. Se o governo aceitar o modelo, ele tende a virar padrão. Se questionar, os clubes voltam à estaca zero, com a temporada em andamento.
Foto: Divulgação/São Paulo




