Quarenta e nove mil pessoas e menos de um milhão de reais. A final do Brasileirão feminino bateu o recorde de público e expôs, na mesma planilha, o quanto esse público ainda vale pouco em bilheteria.
Os números foram divulgados pela Gazeta Esportiva: 49.405 torcedores no Morumbis e renda de R$ 821.925,00 em São Paulo 1 x 1 Corinthians. É o maior público do futebol feminino de clubes na América do Sul. A marca anterior, 44.529, era do Corinthians, na final de 2024, na Neo Química Arena.
A divisão simples dá um ingresso médio de R$ 16,64. A matéria não detalha a tabela de preços nem o peso de gratuidades e sócios, então o número é uma média bruta, não o preço cobrado na bilheteria.
A comparação com o mesmo sábado ajuda a medir. Em Atlético x Bragantino, pelo Brasileirão masculino, a Arena MRV recebeu 22.159 pessoas e arrecadou R$ 1.002.775,69, segundo o No Ataque. Média de R$ 45,25 por torcedor. Um jogo atrasado de meio de tabela, com menos da metade do público, rendeu mais do que a decisão de um campeonato nacional.
Isso não diminui o recorde. Mostra qual é a estratégia. O preço baixo encheu o estádio, e estádio cheio é o ativo que se vende a patrocinador e a quem transmite. A final entregou a imagem que o produto precisava: um título inédito, um clássico e 49 mil pessoas na arquibancada.
Quem ganha no curto prazo é o departamento comercial do São Paulo, que passa a negociar o feminino com um número de público que nenhum outro clube do continente tem. O que falta ver é se o clube consegue subir o ingresso sem esvaziar a casa. A resposta começa na próxima temporada, quando o time jogar como campeão.
Foto: Thais Bueno/Gazeta Esportiva




