No mesmo dia em que perdeu a reforma estatutária no Conselho Deliberativo, a oposição do São Paulo perdeu também na Comissão de Ética.
Conselheiros oposicionistas haviam protocolado representação pedindo o afastamento imediato de Harry Massis e a abertura de processo disciplinar que poderia terminar em expulsão do quadro social. A comissão arquivou tudo por unanimidade, acompanhando o relator, e a decisão é irrecorrível. O detalhamento está na Gazeta Esportiva.
Foram três fundamentos. O primeiro é perda do objeto: o transfer ban que motivava o pedido caiu depois do pagamento à Lazio, em 5 de agosto, enquanto a representação ainda tramitava. O segundo é intempestividade, porque os fatos citados antecediam o protocolo e furavam o prazo regimental. O terceiro é falta de provas de dolo específico ou intenção deliberada de causar prejuízo ao clube.
O conteúdo da representação é o que interessa a quem acompanha o balanço. A peça citava áudio vazado, atraso em pagamento de direitos de imagem, a demissão de Hernán Crespo e gestão temerária em meio a dificuldade financeira. O arquivamento não diz que os fatos não ocorreram. Diz que não houve prova de dolo e que o pedido chegou fora do prazo.
Esse é o ponto que sobrevive à decisão. Atraso em direito de imagem e pendência que vira transfer ban são sintoma de fluxo de caixa, não de intenção, e continuam lá depois do arquivamento. O São Paulo quitou a Lazio, mas quitou sob pressão de bloqueio da FIFA.
A oposição afirma que busca alternativa para recorrer, ainda que a decisão seja definitiva pelo regimento. O que observar agora é o calendário eleitoral: dezembro de 2026, com a gestão atual sem processo aberto e sem reforma estatutária no caminho.
Foto: Reprodução/São Paulo




