O Santos incorporou ao patrimônio uma área de aproximadamente 700 mil metros quadrados em São Vicente, no litoral paulista, destinada ao novo centro de treinamento das categorias de base. O ponto relevante da operação não é o tamanho do terreno, é a forma de pagamento. Não houve desembolso.
O negócio foi estruturado como permuta com a Saint-Gobain, parceira comercial antiga do clube. Em troca da área, o Santos entregou propriedades comerciais e de publicidade, ou seja, pagou com inventário de mídia que já possuía. A Prefeitura de São Vicente participou da viabilização. Os detalhes estão na CNN Brasil.
Para um clube em processo de venda do controle da SAF, uma permuta desse tipo tem efeito contábil claro: aumenta o ativo imobilizado sem consumir caixa nem gerar dívida nova. Melhora a foto do balanço justamente no momento em que o comprador olha a foto.
O problema é que terreno não é CT. A obra ainda depende de estudos e licenciamento ambiental, incluindo o processo junto à CETESB, e o clube informou que trabalha na criação de um fundo de investimento específico para financiar a implantação do projeto. Fundo específico é o eufemismo do setor para dizer que o dinheiro ainda não existe.
O que observar a seguir são três datas: a licença ambiental, a estruturação do fundo e o cronograma de obra, que o Santos ainda não divulgou. Enquanto os três não saírem, o que o clube tem é um ativo grande, ilíquido e sem receita associada. Vale mais na negociação da SAF do que no fluxo de caixa de 2026.
Foto: Divulgação/Santos FC




