O esporte brasileiro descobriu que a conta que sustenta boa parte do seu orçamento pode encolher em cerca de R$ 500 milhões. É esse o número que o Comitê Olímpico do Brasil e o Comitê Brasileiro de Clubes levam a Brasília nos dias 1º e 2 de setembro, para pressionar senadores contra a chamada PEC da Segurança.
A mudança está na fórmula. Hoje o repasse das casas de apostas é calculado sobre a receita menos os pagamentos aos apostadores e o imposto de renda. A proposta inclui no cálculo os custos de manutenção das plataformas e, antes de qualquer outra distribuição, destina 30% do total à segurança pública. O que sobra para dividir é menor, e a fatia do esporte cai junto. Os detalhes da mobilização estão na Máquina do Esporte.
Os percentuais explicam por que a reação é tão forte. Do total de 12% repassado pelas bets, o COB fica com 2,2% e o CBC com 0,7%. Não é dinheiro de patrocínio, que se renegocia. É receita vinculada por lei, aquela que entra no orçamento antes de qualquer contrato ser assinado e que financia formação de atleta e manutenção de centro de treinamento.
A perda estimada de R$ 500 milhões equivale a algo perto de 30% dos repasses atuais, um corte comparável, segundo a apuração, aos orçamentos somados do judô e do vôlei. Modalidades que dependem quase inteiramente desse fluxo não têm de onde repor.
O calendário é curto. A janela de pressão é a primeira semana de setembro, no Senado. O número a observar depois disso não é o discurso das entidades, é a redação final do texto: se o percentual da segurança pública entra antes ou depois da distribuição setorial.
Foto: Wagner Araújo/COB




