A negociação da SAF do Santos ganhou um adversário com nome e data. Maurício Maruca, candidato à presidência do clube na eleição do fim do ano, criticou publicamente o ritmo do processo conduzido pela atual gestão. As declarações foram publicadas pelo MKT Esportivo.
O calendário explica o incômodo. A proposta deve ser apresentada ao Conselho Deliberativo em 31 de agosto, poucos meses antes de a eleição trocar o comando do clube. Maruca chama o prazo de imprudente e diz que nem conselheiros nem sócios têm tempo material para analisar um contrato desse tamanho.
O tamanho é o ponto. Segundo os termos em discussão, a SDC Sports ofereceu R$ 1 bilhão para a operação de futebol e assumiria outro R$ 1 bilhão em dívidas, em troca de 80% do controle. É uma decisão que amarra o clube por décadas, tomada por uma gestão que está de saída.
Maruca não se posiciona contra a SAF em si, e essa distinção importa para quem lê o caso de fora. A crítica dele é ao desenho e ao rito. A alternativa que defende passa por criar um CNPJ que preserve integralmente a identidade do Santos, promover concorrência internacional antes de qualquer venda e arrumar a estrutura do clube antes de negociar percentual de controle.
O argumento da concorrência é o mais duro de responder. Venda negociada com um único interessado não produz referência de preço, e sem referência de preço não existe forma objetiva de dizer se R$ 1 bilhão por 80% é caro ou barato.
O próximo marco é 31 de agosto, na reunião do Conselho. É lá que dá para medir se a oposição tem votos ou só tem microfone. A chapa de Maruca tem Rodrigo Marino como vice.
Foto: José Edgar de Matos/ge




