Um lance de R$ 200 milhões à vista quase tirou do Santos o terreno onde o time treina. A informação é da Máquina do Esporte, que revelou na sexta-feira (9) os bastidores do acordo assinado em 1º de outubro: a renovação da concessão onerosa da área do CT Rei Pelé, que pertence à União, por 20 anos prorrogáveis por mais 20.
Os números explicam por que o clube tratou o assunto como urgência. A União avaliava os 39 mil metros quadrados no Jabaquara em pouco mais de R$ 79 milhões. O lance que apareceu no leilão, de comprador não identificado, foi duas vezes e meia maior. Com dívida total próxima de R$ 1 bilhão, o Santos não teria como cobrir.
O que o clube conseguiu foi ficar pagando pouco. Segundo apurou o site, o aluguel mensal será de R$ 145 mil, enquanto avaliações de mercado citadas na reportagem indicam que só a terra nua na região poderia custar até R$ 400 mil por mês. Há ainda R$ 23 milhões de dívida pelo uso anterior da área, que serão parcelados em prazo longo. Um registro de cautela: a mesma página traz, em outro trecho, o valor de R$ 180 mil para o aluguel. O clube não detalhou o contrato.
A chave da renovação foi a função social. O Santos precisou comprovar que o CT serve à formação de atletas e ao time feminino. Não é detalhe burocrático. A área foi cedida em 1996 com contrapartida social, o Ministério Público Federal concluiu em 2016 que ela não era cumprida, e o terreno chegou a entrar em lista de imóveis federais a leiloar em 2020. Dois clubes vizinhos, Portuguesa Santista e Portuários, perderam os seus, arrematados por R$ 71 milhões no total.
O acordo compra tempo. O plano do Santos é um novo CT em São Vicente, em área de cerca de 700 mil metros quadrados, e o clube protocolou na Cetesb, também na sexta, o plano de trabalho do estudo de impacto ambiental. O licenciamento é o próximo prazo a observar.
Foto: Raul Baretta/Santos FC




