O Santos vai pagar cerca de R$ 145 mil por mês por um terreno que, a preço de mercado, custaria R$ 400 mil. Esse é o resumo do acordo que renova a concessão do CT Rei Pelé por 20 anos, com renovação automática por mais 20. Os termos foram publicados pelo Lance!.
O contrato foi fechado em reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula. Pelo clube estiveram o presidente Marcelo Teixeira e os ex-jogadores Pepe, Clodoaldo e Serginho Chulapa.
O acordo resolve dois problemas de uma vez. O primeiro é o passivo: o valor acumulado pelo uso da área de 2017 a 2026 será parcelado em 120 meses. O montante dessa dívida não aparece na reportagem, e sem ele não dá para dizer quanto pesa a parcela somada à mensalidade nova.
O segundo é o risco patrimonial. O terreno chegou a ter data de leilão marcada. Nesse cenário o vencedor teria de pagar à vista, e o clube poderia perder o centro onde treina o time profissional.
"Estávamos com uma insegurança muito grande desde 2017", disse Marcelo Teixeira, que chamou o acordo de "uma das maiores vitórias que tivemos nos últimos anos".
O ganho é menos de caixa e mais de previsibilidade. Um CT com posse garantida por quatro décadas volta a ser ativo em que vale investir e que pode entrar em conversa com financiador ou parceiro. Com leilão no horizonte, cada real gasto em obra era risco. A diferença para o valor de mercado, de cerca de R$ 255 mil por mês segundo a estimativa citada, funciona como subsídio indireto, e é o ponto que tende a ser questionado.
O que observar a seguir: a formalização do termo, o valor total do passivo de 2017 a 2026 e a regra de reajuste da mensalidade, que a reportagem não detalha. Em contrato de 40 anos, o indexador vale mais que o preço de partida.
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