A frase da Puma depois do Ba-Vi foi curta: tentaram, mas a camisa não rasgou. Em qualquer outro ano seria provocação de clássico. Neste, é resposta a um problema de produto que saiu caro para a marca.
O episódio foi simples. Jean Lucas marcou pelo Bahia, comemorou exibindo a camisa para a torcida rival e jogadores do Vitória reagiram. Marinho puxou o uniforme e Cacá tentou rasgar, sem conseguir. O registro está na Máquina do Esporte.
O contexto explica a pressa em capitalizar. Na Copa do Mundo de 2026, camisas da Puma se romperam em cinco ocasiões diferentes, com Pavel Sulc pela República Tcheca, Gustavo Gómez pelo Paraguai, Mostafa Ziko pelo Egito, Caleb Yirenkyi por Gana e Neil El Aynaoui pelo Marrocos. A empresa justificou dizendo que priorizou leveza combinada com movimento, respirabilidade e conforto, e lembrou que futebol é esporte de contato.
Para quem trabalha com fornecimento de material esportivo, esse tipo de falha custa em duas frentes. A primeira é operacional: revisão de especificação técnica no meio de um ciclo de contrato já assinado com dezenas de clubes e seleções. A segunda é comercial, e é a mais cara. Fornecedora vende performance para o clube e vende identidade para o torcedor que paga a camisa oficial. Vídeo de uniforme rasgando circula rápido e ataca justamente a parte que sustenta o preço de varejo.
Por isso a reação de ontem é marketing defensivo bem executado, e praticamente sem custo. A marca não produziu nada. Leu um lance de clássico regional e devolveu em uma frase.
O que observar é se isso vira eixo de campanha ou fica no post isolado. Se durabilidade virar tema de comunicação da Puma no Brasil, o Barradão foi o primeiro capítulo.
Foto: Letícia Martins/EC Bahia




