A MP que baniu as apostas no Brasil chegou às placas de publicidade da Libertadores e da Sul-Americana. E o problema não é só de quem vende camisa: é da própria Conmebol.
Desde 2023, a entidade tem contrato com o grupo Entain, sediado em Douglas, na Ilha de Man. Duas marcas do grupo aparecem nas placas de LED dos torneios de clubes: a Bwin, voltada aos mercados de língua espanhola, e a Sportingbet, voltada ao Brasil. A Sportingbet, aliás, era a patrocinadora master do Palmeiras até a proibição. O levantamento é da Máquina do Esporte.
A saída encontrada até agora é técnica. A Conmebol já usava sobreposição virtual para exibir a marca certa em cada mercado. Na vitória do Vasco sobre o Boca Juniors, na terça-feira, ESPN e SBT mostraram ao público brasileiro mensagens institucionais e outros parceiros no lugar das casas de aposta: Amstel, Midea, Coca-Cola, DHL, EA Sports, TCL, Mercado Livre, Rexona, Powerade e World.
O que isso resolve é a exibição, não o contrato. O contrato com a Entain segue de pé, mas cobre um inventário que perdeu um dos maiores mercados da competição, justamente o país com mais clubes na reta final. Quem negocia patrocínio sabe que esse tipo de perda costuma voltar para a mesa na forma de desconto, compensação ou revisão de cláusula. Nenhum dos lados divulgou como pretende tratar isso.
Vale separar os acordos. O contrato institucional da Conmebol com a Betano vai até 2028 e não cobre os torneios de clubes, então o impasse está concentrado na Entain.
O cenário se repete do outro lado do campo. O Estudiantes, que recebe o Flamengo nesta quinta pela semifinal, encerrou o patrocínio com a Bplay e hoje tem o Banco Supervielle no espaço principal da camisa.
O próximo ponto a observar é a negociação entre Conmebol e Entain para o ciclo atual. A outra variável é Brasília: enquanto a MP não for votada ou derrubada no STF, o inventário brasileiro da Libertadores segue sem comprador do setor que mais pagava por ele.
Foto: Matheus Lima e Dikran Sahagian/Vasco




