Dez dias. É o prazo que o futebol brasileiro tem para desmontar o modelo de patrocínio que sustentou o futebol nos últimos anos. O presidente Lula assinou na sexta-feira uma medida provisória que torna ilegal a aposta esportiva online e o cassino online no país, e proíbe publicidade e patrocínio do setor.
O cronograma foi detalhado pela Máquina do Esporte. Os contratos de patrocínio em vigor se encerram em 5 de outubro. Até as 23h59 desse dia, o apostador pode pedir o resgate integral do saldo, e as casas devolvem os valores entre 9 e 14 de outubro. Novos depósitos e transferências para as plataformas ficam vedados.
O impacto é concentrado no topo. Segundo a publicação, 13 dos 20 clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora master. O setor repassaria cerca de R$ 1,1 bilhão na temporada, o equivalente a uma média de 7% das receitas desses clubes. Não é o maior item do balanço, mas é dinheiro de caixa, pago em dia, sem depender de resultado em campo.
A reação já começou. De acordo com a Máquina do Esporte, a CBF articula conversas entre clubes das Séries A e B e o governo federal. A principal alternativa em discussão é uma linha de crédito subsidiada do BNDES, com juros reduzidos. A tendência é que isso só se concretize depois do segundo turno da eleição, em 25 de outubro. Até lá, o buraco é do clube.
Bernardo Cavalcanti Freire, da ANJL, resumiu a crítica do setor: "O Brasil corre o risco de abandonar o modelo de regulação das apostas adotado pela maioria das democracias ocidentais".
O que observar agora: a MP tem 120 dias para ser votada no Congresso, o que empurra a decisão final para o início de 2027. Até lá, os clubes precisam tirar a marca da camisa sem saber se ela volta.
Foto: Ricardo Stuckert/PR




