Os patrocínios de casas de aposta renderam mais de R$ 1 bilhão aos clubes da Série A em 2025, cerca de 34% da receita comercial deles, segundo números que um grupo de 16 clubes levou ao STF e que foram reunidos pelo Yogonet. Nesta terça-feira (13) fecha a janela em que o Congresso pode propor mudanças na medida provisória que zerou essa linha do balanço.
A página da MP 1.394/2026 no Congresso Nacional registrava, na manhã de segunda, 58 emendas na comissão mista, quatro delas retiradas pelos autores. O prazo, que acabava em 1º de outubro, foi esticado até hoje.
Para o futebol, nem toda emenda tem o mesmo peso. A que mexe direto com a camisa é a do deputado Marcos Braz (PSDB-RJ), que propõe manter por 24 meses a exibição de marcas já contratadas em uniformes e arenas, como informou o iGaming Brazil. É, na prática, a regra de transição que os clubes pedem desde o primeiro dia. Outras emendas vão na direção de liberar só a aposta esportiva e manter o cassino online proibido.
O tamanho da exposição explica a pressa. O Flamengo estima perder entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em 2027. O São Paulo tem um contrato com a Superbet de R$ 678 milhões até 2030, hoje suspenso. O Vitória calcula R$ 2,5 milhões por mês. São estimativas dos próprios clubes, não perdas confirmadas.
Fechar o prazo de emendas não decide nada. O texto passa a correr na comissão mista, que tem até 23 de novembro para deliberar, com regime de urgência a partir de 9 de novembro. No STF, o relator Luiz Fux ainda não decidiu sobre o pedido dos clubes.
O número a acompanhar é a escolha do relator da comissão. É ele quem decide se a transição de 24 meses entra no texto ou fica na gaveta, e é dessa resposta que depende o planejamento de 2027 de boa parte da Série A.
Foto: Ton Molina/Agência Senado




