A bolha das bets no futebol estourou antes de o contrato acabar. É essa a leitura de profissionais do mercado ouvidos pelo colunista Gilmar Ferreira, do Extra, em relato repercutido pelo iGaming Brazil. A projeção é que os valores de patrocínio voltem em 2027 ao patamar anterior a julho de 2025, mesmo que o Congresso altere ou deixe caducar a medida provisória editada em 25 de setembro para proibir as casas de apostas online.
O Flamengo é o caso mais exposto. O master do clube saiu de R$ 48 milhões por ano com a Pixbet, no fim de 2021, passou a R$ 115 milhões e chegou a R$ 268 milhões com a Betano em agosto de 2025, uma alta de 459%. Se o valor voltar para perto de R$ 115 milhões, como projeta o mercado, a queda seria de 57%. São cerca de R$ 153 milhões a menos por ano numa única linha de receita.
No Fluminense, o patrocínio principal subiu 259% no mesmo período e hoje está em R$ 53 milhões. O risco é voltar aos R$ 40 milhões fixos que a Superbet pagava até março de 2026, um corte de 24,5%.
O efeito já aparece no caixa, segundo a mesma apuração. O Flamengo teria paralisado obras na Gávea e no Ninho do Urubu, e há preocupação com a parcela devida ao West Ham pela compra de Lucas Paquetá, que vence em janeiro. O Fluminense enfrentaria dificuldade para honrar as parcelas do Regime Centralizado de Execuções.
A dependência é ampla. Um levantamento da BNLData com 14 clubes da Série A patrocinados por bets mostrou que o master pagava, em média, mais de três meses de folha salarial por ano.
O que observar agora é a substituição. Clubes como Santos e Vasco já colocaram bancos e empresas de tecnologia no espaço que era das bets, mas sem divulgar valores comparáveis. A discussão sobre a validade da MP no STF é o próximo marco para saber se 2027 começa com contrato menor ou com buraco.
Foto: Marina Garcia/Fluminense FC




