O prazo terminou com 97 emendas. É quase o dobro das 59 registradas até o dia 10 e mostra a pressão do setor sobre a MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa e a publicidade das bets no país. A contagem final é do Brasil em Folhas.
Para o futebol, o volume importa menos que o conteúdo. Segundo o iGaming Business, até o dia 10 eram 11 emendas que preservavam as apostas esportivas e proibiam apenas o cassino online. Uma delas permitiria apostar só em resultado final, placar e métricas coletivas, vetando aposta em lance individual. Marcos Braz propôs transição de até dois anos para as marcas saírem de uniformes e estádios. Outras emendas vão no sentido oposto e proíbem até o naming rights de estádios e competições.
O problema dos clubes é o calendário. A comissão mista já tem 12 senadores e 13 deputados indicados como titulares, mas ainda não tem presidente nem relator, e a cúpula do Congresso não definiu data de votação. A MP foi editada em 25 de setembro, tem vigência inicial até 23 de novembro, prorrogável, e entra em regime de urgência em 9 de novembro.
Enquanto isso, a regra vale. Clubes que tinham bet no peito, como o Corinthians, já trocaram de patrocinador por contratos curtos e mais baratos, e cada semana sem definição é receita que não volta. As empresas também pagaram R$ 30 milhões de outorga pela licença, sem reembolso previsto no texto.
O cenário político complica. Lula, candidato à reeleição, usa a proibição total como bandeira. Flávio Bolsonaro defende manter as apostas esportivas e proibir só os cassinos online. Líderes partidários falam em aprovar uma versão de escopo menor.
O próximo número a observar é o nome do relator. É ele quem decide quais dessas 97 emendas entram no texto, e se o futebol volta a ter a sua principal fonte de patrocínio.
Foto: Agência Brasil




