Atleta trocando de fornecedora é rotina do mercado. Atleta virando acionista da fornecedora é outra categoria de negócio.
Kylian Mbappé encerrou a relação com a Nike, cujo contrato venceu em 31 de julho de 2026, e assinou com a On por dez anos. Além do patrocínio, tornou-se acionista da empresa suíça. Os valores não foram divulgados. O acordo foi detalhado pela Gazeta Esportiva.
Dez anos é prazo fora do padrão do setor, onde o usual fica entre três e cinco, com gatilhos de performance. A participação societária muda ainda mais a natureza do acordo: o atleta deixa de ser linha de custo de marketing e passa a ter interesse direto na valorização da marca. Neymar e Federer já fizeram movimentos parecidos, e o modelo funciona quando a empresa está entrando num mercado novo e precisa comprar credibilidade rápido.
É exatamente o caso. A On não vende futebol hoje e usa Mbappé como porta de entrada. A linha de futebol está prevista para 2027 e o produto central é uma chuteira com a tecnologia LightSpray, que dispensa cola na montagem e promete peça mais leve e com menos desperdício de material. Para completar, a marca contratou Thierry Henry como diretor de futebol.
O alvo é o duopólio de Nike e Adidas na chuteira de elite, que dura décadas. Furar esse bloqueio custa caro e demora, e a aposta da On é comprar atalho com o jogador mais visível do mundo em vez de construir presença clube a clube.
O que observar é o preço de lançamento em 2027 e quantos profissionais a On conseguir calçar até lá. Chuteira de elite se valida no vestiário, não na campanha. Se o produto chegar sozinho no pé de Mbappé, o contrato de dez anos vira despesa longa.
Foto: Divulgação/On




