A camisa do Vasco no clássico contra o Flamengo, na quinta-feira, não tinha Sportingbet no peito. Tinha Sporting Bot, uma plataforma de estatísticas e notícias esportivas que pertence ao mesmo grupo empresarial da casa de apostas. É o caso mais recente de um movimento que já se espalhou pela Série A: a marca-espelho.
O Lance! listou os outros. O Palmeiras, que também tem contrato com a Sportingbet, já usou a Sporting Blog, plataforma de conteúdo ligada à empresa. São Paulo e Fluminense passaram a exibir a Superscore, plataforma de dados esportivos do grupo da Superbet, antiga patrocinadora master dos dois.
A lógica comercial é clara. A Medida Provisória 1.394/2026 proíbe a publicidade de casas de apostas de cota fixa, mas não apaga o interesse das empresas em manter o nome associado ao clube. Para o patrocinador, a marca-espelho preserva a exposição e o reconhecimento do nome-raiz. Para o clube, é argumento para manter o contrato vivo em vez de suspenso ou rompido. O peso disso é grande: estimativas dos próprios envolvidos colocam patrocínios e receitas ligadas às bets entre 15% e 25% da receita de futebol dos clubes afetados, segundo o Doentes por Futebol.
O que nenhum dos clubes divulgou é se a troca de marca altera o valor pago. O contrato do Vasco com a Sportingbet foi renovado em agosto, sem números públicos.
O risco está na interpretação. A pergunta que fica é se uma marca com o mesmo nome-raiz conta como publicidade indireta. Nenhuma das reportagens sobre o tema traz posição oficial do governo.
O teste vem na terça-feira, 3 de novembro, na audiência pública do STF sobre a MP. Se o governo endurecer, a marca-espelho vira passivo. Se abrir uma porta para as apostas esportivas, como propõem clubes e empresas, ela vira só uma ponte até a volta do nome original.
Foto: Matheus Lima/Vasco




