A resposta do presidente do Internacional a um repórter, depois do GreNal, virou notícia pelo tom. O que ela revela sobre a gestão do clube é mais relevante que o bate-boca.
Alessandro Barcelos discutiu com o jornalista Alexandre Ernst após o empate sem gols com o Grêmio nas quartas da Copa do Brasil. O questionamento era sobre a crise financeira e o transfer ban que impede o clube de registrar contratações. Barcelos respondeu que assume erros e disse ao repórter que "em cima de mim tu não vai te criar mais". O registro está na CNN Brasil.
O problema por trás da pergunta é concreto. O bloqueio da Fifa tem origem em pendência com o Midtjylland, da Dinamarca, referente à contratação do zagueiro Juninho. E não está sozinho: o Racing, da Argentina, aguarda pagamento pela transferência do atacante Carbonero, e o Dansoman Wise, de Gana, cobra valores ligados ao meia Benjamin, ainda sem acionar a Fifa. O mapeamento dos credores foi publicado pelo Terra.
A consequência operacional é a que dói. O transfer ban não tira o time da competição, mas trava qualquer registro novo, o que na prática encerrou a janela do Inter antes do prazo. A diretoria passou a priorizar a manutenção das despesas correntes de futebol e a pontualidade da folha, em vez de perseguir reforço.
O padrão é conhecido no setor: dívida de transferência parcelada em moeda estrangeira vira bola de neve quando a receita não acompanha, e cada novo credor que aciona a Fifa renova o bloqueio por conta própria.
O que observar é se o clube quita a pendência com o Midtjylland antes do fechamento da janela e, principalmente, se o caso do Dansoman Wise chega à Fifa. Se chegar, o bloqueio se renova mesmo com o primeiro resolvido.
Foto: Reprodução/Internacional TV




