O número da manchete é R$ 454 milhões. O número que paga as contas agora é R$ 20 milhões. A SAF da Inter de Limeira foi formalizada nesta segunda-feira por um grupo liderado por Ronaldo e Roberto Carlos, e a diferença entre esses dois valores explica o desenho do negócio.
Segundo o NSC Total, o aporte chega a até R$ 454 milhões em dez anos, liberado de forma gradual e atrelado a metas. Para os dois primeiros anos, estão previstos R$ 20 milhões, cerca de 4% do total, concentrados no profissional e na base. Outros veículos falam em R$ 450 milhões. Os investidores ficam com 80% das operações do futebol, e a associação civil mantém 20%.
O quadro societário inclui o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud e um empresário haitiano não identificado. A gestão executiva fica com Enrico Ambrogini. O acordo era esperado para setembro e atrasou um mês.
A estrutura por metas é a parte mais relevante para quem acompanha o mercado de SAF. Ela protege o investidor de colocar dinheiro grande num clube que ainda não provou que sobe, e transfere o risco esportivo para o cronograma. Na prática, o valor cheio só aparece se o projeto andar. Para o clube, a vantagem é ter um teto alto no papel. A desvantagem é que o fôlego garantido no curto prazo é modesto.
O momento ajuda o discurso. A Inter acaba de conseguir o acesso à Série B, onde volta a jogar em 2027 depois de 35 anos. A meta imediata é subir para a A2 do Paulista no primeiro semestre. Estádio Limeirão e CT aparecem como prioridades de infraestrutura.
Para Ronaldo, é a volta ao controle de um clube brasileiro depois de vender a SAF do Cruzeiro. O primeiro termômetro será a montagem do elenco para a Série B e a reforma do Limeirão. É ali que dá para medir se os R$ 20 milhões iniciais bastam.
Foto: Lucas Figueiredo/CBF




