Cada federação filiada à Fifa pode passar a receber US$ 25 milhões no próximo ciclo, em vez de US$ 10 milhões. É o centro da proposta que Gianni Infantino leva ao Conselho da entidade nesta quinta-feira, em Zurique.
O pacote total é de US$ 6,35 bilhões para o programa de desenvolvimento do futebol entre 2027 e 2030. Além do repasse por federação, as confederações continentais receberiam US$ 99 milhões adicionais. Os números foram publicados pela Máquina do Esporte.
O pano de fundo é a receita da Copa do Mundo. Segundo a mesma publicação, o último Mundial rendeu cerca de US$ 15 bilhões à Fifa. O plano, na prática, distribui uma fatia maior do caixa da entidade para a base que vota.
E é aí que está a leitura política. A proposta chega a cinco meses do 77º Congresso Ordinário, marcado para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos, quando as 211 federações elegem o presidente da Fifa. Um aumento de 150% no repasse por federação, aprovado agora, é um argumento de campanha difícil de rebater.
A oposição existe e não é pequena. A Uefa, de Aleksander Ceferin, e a Concacaf, de Victor Montagliani, estão contra Infantino, e parte da AFC também. O grupo pode reunir até 21 dos 37 votos do Conselho. Do lado do presidente estão Conmebol, CAF e OFC.
Para o futebol brasileiro, a conta é direta: se a regra vale para todas as filiadas, a CBF passa a ter direito a US$ 25 milhões no ciclo, como qualquer outra federação. Esse é o ponto que dá peso eleitoral à proposta. Para uma federação pequena, o valor muda o orçamento. Para as grandes, o efeito no caixa é bem menor.
O que observar: o resultado da votação desta quinta e, depois, o Congresso Extraordinário de 23 de novembro, que escolhe as sedes das Copas femininas de 2031 e 2035. É a última grande reunião antes da eleição.
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