O Guarani está a uma assembleia de virar mais uma SAF de controle quase integral. O Conselho Deliberativo deu parecer favorável à venda de 90% das ações para Roberto Graziano, dono do Grupo Magnum, numa proposta de R$ 1,075 bilhão. Os sócios começam a se reunir em 16 de novembro e a votação final está marcada para o dia 19, segundo A Tarde.
A divisão do dinheiro diz muito sobre a operação. De acordo com a reportagem, são R$ 400 milhões para o futebol, R$ 300 milhões para um estádio novo, R$ 25 milhões para um CT e R$ 350 milhões para quitar o passivo da recuperação judicial. Quase um terço do valor, portanto, não entra no campo: paga a conta do passado. E o estádio, sozinho, consome quase o mesmo que o futebol.
O prazo é o detalhe que muda a leitura do número. Os investimentos podem ser feitos em até 40 anos. Um bilhão diluído em quatro décadas é outro negócio, e o valor de face vende mais do que o fluxo anual entrega. A reportagem não informa o cronograma de desembolso ano a ano.
Há proteções no contrato. A versão mais recente manteve as condições e reforçou garantias exigidas pelo clube, incluindo cláusula que proíbe vender a empresa compradora antes de cumpridas as obrigações com estádio, CT e associação. No início de outubro, os sócios já haviam aprovado a criação da SAF com mais de 95% dos votos, mas aquela decisão não autorizava a transferência das ações.
Como o clube está em recuperação judicial, o administrador judicial ainda precisa analisar a proposta antes da votação. Só depois dessa análise a proposta vai a voto.
O que observar é o parecer do administrador e o calendário de aportes. Se o desembolso do futebol vier concentrado nos primeiros anos, o Guarani ganha poder de reação imediato. Se vier diluído, o número de R$ 1 bilhão vale mais como manchete do que como elenco.
Foto: Divulgação/Guarani




