A reunião que deveria abrir a negociação entre governo e futebol sobre o fim das bets não vai acontecer nesta terça. O Ministério do Esporte adiou o encontro marcado para as 15h de 29 de setembro, em Brasília, e alegou problema logístico: data em cima da hora e falta de voos para os convidados.
O motivo oficial convive com um dado que pesa mais. Segundo o Metrópoles, os principais clubes do Rio e de São Paulo, além do Cruzeiro, tinham recusado o convite. Ou seja, a mesa ia ficar sem quem mais perde dinheiro com a medida. O adiamento também foi noticiado por O Tempo.
O encontro teria quatro ministros: Paulo Henrique Cordeiro (Esporte), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Miriam Belchior (Casa Civil). A presença da equipe econômica indicava que o governo pretendia discutir crédito e compensação. Só que uma das saídas mais óbvias já caiu: o BNDES confirmou que não pode financiar clubes por restrição estatutária.
Sem banco público e sem reunião, a única sinalização concreta veio do presidente. Lula lembrou que o país já aprovou a lei que permite ao clube virar empresa, numa fala que sugere que, para o governo, a saída para o caixa passa pela SAF, não por socorro federal.
O relógio não espera a agenda de Brasília. A MP obriga as casas de aposta a encerrar a operação em 6 de outubro, e os clubes precisam tirar as marcas das camisas antes disso. O Congresso tem 120 dias para aprovar o texto, ou ele perde a validade.
O que observar a seguir é a nova data da reunião e, principalmente, quem aceita sentar. Enquanto o governo não apresentar um instrumento de crédito com nome e valor, a tendência é que os grandes clubes sigam apostando na Justiça e no Congresso, não na negociação.
Foto: Hugo Barreto/Metrópoles




