O Fluminense colocou um número na mesa. Segundo o presidente Mattheus Montenegro, a medida provisória que proíbe as bets custa ao clube mais de R$ 100 milhões. Ele disse isso em entrevista à CNN Brasil e antecipou que o clube vai à Justiça.
O valor não se resume ao patrocínio master. A conta, repercutida pelo Saudações Tricolores, soma três frentes: o contrato principal de camisa, os acordos de placa no estádio e as camisas já fabricadas com a marca da patrocinadora. É essa terceira linha que pouca gente estava olhando.
O Fluminense encomenda as camisas com cerca de seis meses de antecedência e tem mais de 30 lojas oficiais abastecidas com camisas que levam a marca de uma casa de aposta, e a MP 1.394 dá dez dias para retirar publicidade de espaços físicos e digitais. Na leitura do clube, produto novo com a marca deixa de poder ser vendido a partir de 5 de outubro. "É um prejuízo muito grande para o lojista, para os funcionários das lojas", disse Montenegro. E devolveu a pergunta que interessa ao setor: se o lojista cobrar o clube, quem ressarce o Fluminense?
O problema não é só tricolor. Treze dos 20 clubes da Série A têm bet no master. Em 2025, as casas de aposta colocaram cerca de R$ 1,03 bilhão nos clubes da elite, 7,2% de uma receita total de R$ 14,3 bilhões, segundo levantamento publicado pelo Correio Braziliense. Todo clube que licencia camisa com essa marca vai fazer a mesma conta de estoque nesta semana.
A estratégia jurídica também já tem roteiro. Montenegro fala em violação da segurança jurídica, em ausência de período de transição e em falta de urgência, que é requisito constitucional para uma MP.
O próximo marco é o Congresso. A MP tem força de lei imediatamente, mas precisa ser votada em até 120 dias. Até lá, o que vai definir o tamanho do prejuízo é outra coisa: se algum clube consegue liminar antes de 5 de outubro.
Foto: Lucas Merçon/Fluminense




