O espaço mais caro do futebol brasileiro virou faixa de protesto. No Fla-Flu deste domingo, Flamengo e Fluminense entraram no Maracanã com a frase "Proibir não é proteger" onde ficariam Betano e Superbet, seus patrocinadores máster. As placas de publicidade do estádio repetiram o slogan contra a MP 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país. A descrição está na CNN Brasil.
O Flamengo já tinha usado a frase sozinho na rodada anterior, contra o Santos. A novidade é o rival aderir. Quando dois clubes que disputam o mesmo torcedor e dividem a gestão do Maracanã assinam a mesma mensagem, o protesto deixa de ser posição de um clube e vira posição de mercado.
O número explica a pressa. Segundo apuração publicada pelo Terra, o acordo com a Betano vale R$ 268,5 milhões por temporada até dezembro de 2028, dos quais R$ 220 milhões fixos para o futebol. A Betano já teria pago R$ 268 milhões referentes a 2026, e as partes colocaram o contrato em "stand by". O clube estima impacto de até R$ 400 milhões por ano somando os acordos afetados direta e indiretamente.
O Fluminense não divulga o valor do contrato com a Superbet, mas mostrou o custo operacional da medida: o clube disse ao Meio & Mensagem que suas lojas têm seis meses de estoque de camisas com a marca do máster. A mesma reportagem lembra que 13 dos 20 clubes da Série A tinham uma casa de apostas no peito.
Há um detalhe que pesa na leitura. Desde 5 de outubro, as marcas de bets já precisavam sair da camisa. O protesto ocupa um espaço que, pela regra atual, ficaria vazio ou seria revendido por uma fração do valor, como fez o Corinthians com a Shopee.
O próximo marco é imediato. Segundo o Focus GN, com base na Folha de S.Paulo, o prazo de emendas à MP vai até esta terça, 13, e a comissão mista deve ser instalada só em novembro, depois do segundo turno. Até lá, os clubes negociam com patrocinadores um contrato que ninguém sabe se ainda existe.
Foto: CNN Brasil




