A venda da SAF do Vasco ganhou um oponente que não está sentado à mesa. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, pretende contestar na Justiça a compra de 90% das ações pela Almirante Participações, empresa liderada por Marcos Lamacchia, segundo apurou o colunista Cosme Rímoli, do R7, em informação reproduzida pelo SuperVasco.
O argumento é de conflito de interesse. Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Bap sustenta que as regras vedam que uma mesma pessoa ou grupo tenha influência sobre dois clubes da mesma competição. Segundo a apuração, ele cogita levar o caso à Justiça comum e, se necessário, à Fifa. A posição não é nova: em junho, em entrevista reproduzida pelo Lance!, ele já tinha dito que o Flamengo recorreria aos tribunais se o negócio avançasse.
O que mudou é o estágio da operação. A Almirante foi a única proponente no leilão conduzido na 4ª Vara Empresarial do Rio, dentro da recuperação judicial do clube. A proposta prevê R$ 500 milhões para o futebol, incluindo a conversão de um empréstimo de R$ 80 milhões em ações, R$ 120 milhões para o CT e R$ 30 milhões para a base, segundo o Futebol Baiano. Rímoli fala em compromisso total de R$ 2 bilhões.
Há um ingrediente esportivo que deixa o debate mais sensível: Palmeiras e Vasco se enfrentam na semifinal da Copa do Brasil, em 1º e 8 de novembro.
Para quem acompanha o mercado de SAF, o ponto é o precedente. Até aqui, a discussão sobre multipropriedade no Brasil girou em torno de grupos com vários clubes. Um litígio sobre vínculo familiar entre dirigente e comprador abriria outra frente.
O próximo marco é a sessão do Conselho Deliberativo do Vasco, marcada para 6 de outubro, seguida de assembleia geral. O presidente Pedrinho diz que "até fim de outubro, está concretizado". Uma ação judicial antes disso é o que pode mexer nesse prazo.
Foto: VascoTV/YouTube




