A proibição das bets não pesa igual para todo mundo. Os números levantados pela consultoria Sports Value e publicados pela CNN Brasil mostram um futebol em que quatro clubes concentram mais da metade do dinheiro que vai sumir.
O Flamengo é o caso extremo. O contrato com a Betano vale R$ 268,5 milhões por ano, sozinho mais do que a soma dos sete últimos clubes da lista. Depois vêm Corinthians, com a Esportes da Sorte (R$ 150 milhões), São Paulo, com a Superbet (R$ 113 milhões), e Palmeiras, com a Sportingbet (R$ 100 milhões). Os quatro somam R$ 631,5 milhões anuais.
No meio da tabela estão Atlético-MG, com a H2Bet (R$ 62 milhões), Botafogo, com a VBet (R$ 55 milhões), Fluminense, com a Superbet (R$ 52 milhões), Vasco, com a Sportingbet (R$ 50 milhões), e Grêmio, com a Pitaco (R$ 46 milhões). Fecham a lista Cruzeiro e Betnacional (R$ 40 milhões), Santos e Novibet (R$ 35 milhões), Vitória e 7KBet (R$ 20 milhões) e Remo e VaideBet (R$ 12 milhões). A Chapecoense tem a ZeroUm, sem valor divulgado.
Segundo a mesma consultoria, as casas de aposta responderam por 34% de toda a receita de marketing dos clubes em 2025.
A leitura muda quando se olha o tamanho de cada um. Para o Flamengo, o valor é enorme em termos absolutos, mas o clube tem receita diversificada e poder de barganha para buscar outro master. Para Vitória e Remo, R$ 20 milhões e R$ 12 milhões são proporcionalmente mais difíceis de repor, porque o mercado de patrocínio fora das bets paga menos e tem menos apetite por clubes de menor exposição.
Há ainda o caso do Grêmio, que fechou com a Pitaco nesta mesma semana depois de dez meses sem master.
O próximo número a observar é quem consegue substituir primeiro. Bancos, fintechs e varejo são os candidatos óbvios. A dúvida é se algum desses setores topa pagar perto do que as bets pagavam.
Foto: Reprodução/Agência Brasil




