O fair play financeiro brasileiro saiu do papel e já tem o primeiro clube notificado. O São Paulo foi acionado por uma dívida de R$ 1,1 milhão com o Novorizontino, referente à transferência do meia Djhordney, segundo levantamento publicado pelo Lance. O prazo para quitar é de 45 dias contados de 12 de agosto. Sem pagamento, vem o transfer ban.
O valor é pequeno para o tamanho do clube. O precedente não é.
O regime se chama Sistema de Sustentabilidade Financeira, foi aprovado pela CBF no fim de 2025 e entrou em vigor no começo deste ano. Quem fiscaliza é a ANRESF, agência com autonomia própria, e as decisões dela não passam pelo tribunal desportivo tradicional. Isso muda o cálculo de risco de qualquer diretoria acostumada a empurrar dívida com recurso.
As regras valem até 2029 e são objetivas. Salário mais amortização de atleta não podem passar de 70% da receita total. Dívida de curto prazo fica limitada a 45% da receita. O sistema se apoia em quatro pilares: controle de endividamento, equilíbrio operacional, custo de elenco e dívida de curto prazo.
O ponto que pegou o São Paulo é de calendário. O contrato com o Novorizontino foi assinado em fevereiro de 2026, já sob a vigência plena do sistema, o que elimina qualquer período de transição. E o artigo 108 fecha a saída mais usada pelos clubes brasileiros: dívida de transferência não pode ser parcelada via acordo administrativo.
O que observar agora é se o São Paulo paga dentro do prazo, que se encerra no fim de setembro, e quantos clubes aparecem na fila depois dele. Com teto de folha em 70% da receita, boa parte da Série A tem motivo para revisar planilha antes da próxima janela.
Foto: Junior Souza/CBF




