Dois exames médicos no mesmo clube russo, no mesmo dia, derrubaram duas operações de venda de clubes brasileiros. É um evento raro o suficiente para virar assunto de gestão, não de departamento médico.
O Dínamo de Moscou reprovou Gonzalo Plata, do Flamengo, e Matheus Martins, do Botafogo. No caso do atacante alvinegro, a transferência estava avaliada em cerca de 7 milhões de euros, o equivalente a algo perto de R$ 42,4 milhões, segundo o O São Gonçalo. O valor não entra no caixa deste exercício.
Os dois clubes contestam o diagnóstico. O Botafogo afirma que o jogador de 23 anos vinha atuando normalmente, com 38 partidas e seis gols em 2026, e colocou o departamento médico à disposição para prestar esclarecimentos. O Flamengo foi mais duro e falou em amadorismo e irresponsabilidade, além de anunciar que vai buscar reparação.
O ponto sensível é o calendário. A janela europeia fechou em 1º de setembro, o mesmo dia das reprovações. Ou seja, os dois clubes não têm como refazer a venda para outro comprador neste ciclo. A receita planejada para 2026 vira receita a planejar para 2027, com o agravante de que os dois jogadores voltam para folha salarial que já estava dimensionada sem eles.
Há ainda um flanco jurídico. Segundo a apuração, o Botafogo estuda medidas relacionadas ao uso não autorizado da imagem do atleta em material promocional divulgado pela imprensa russa. Nenhum dos dois clubes formalizou reclamação até agora.
O que observar é se algum deles leva o caso à Fifa. Sem processo aberto, a perda fica registrada apenas no balanço.
Foto: Botafogo/Vitor Silva




