O Cruzeiro anunciou um patrocinador novo dois dias antes de ser obrigado a esconder o maior de todos. A ordem dos fatos explica mais do que o anúncio.
A marca é a Mili, de produtos de higiene e cuidados pessoais. O contrato vai até dezembro de 2027 e dá à empresa a parte superior frontal da camisa do time feminino. A estreia foi no sábado, contra o América, em Contagem, segundo o O Tempo. O valor não aparece na reportagem. A Mili se junta a Cimed, Cremer, Neutrox, Rexona e Supermercados BH no uniforme das Cabulosas, e Pedro Lourenço, que comanda a SAF, agradeceu a confiança no projeto do futebol feminino.
O contexto é o prazo da MP das bets. Os clubes têm até 23h59 de segunda-feira, dia 5, para retirar marcas de casas de aposta de uniformes e materiais, e as plataformas passam a ser bloqueadas no dia 6, de acordo com levantamento do Estadão publicado pelo Terra. Dos 20 clubes da Série A, 14 têm patrocínio do setor.
No Cruzeiro, o master é da Betnacional. Segundo o O Tempo, com base no balanço de 2025, o contrato paga R$ 43 milhões fixos por ano e pode chegar a R$ 60 milhões com bônus. Isso equivale a cerca de 7% da receita operacional, de aproximadamente R$ 600 milhões, e a 15% dos R$ 280 milhões que o clube arrecadou com patrocínios.
A leitura para o mercado: a bet é o maior contrato da história do clube, mas não é a maior parte da receita. A camisa feminina com seis marcas, nenhuma delas de aposta, mostra a carteira que o Cruzeiro montou fora do setor. O anúncio da Mili sem valor divulgado, porém, não permite dizer quanto dessa carteira compensa o master.
O contrato com a Betnacional termina no fim de 2026. O que observar é quem ocupa o peito da camisa masculina a partir de terça-feira e por quanto.
Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro




