O Grêmio comprou Marlon em dezembro de 2025 e, nove meses depois, só pagou uma parcela. O Cruzeiro levou a cobrança à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, órgão da CBF que julga conflitos financeiros entre clubes.
O acordo previa US$ 3,5 milhões, cerca de R$ 18 milhões, divididos em dez parcelas mensais de aproximadamente US$ 300 mil. Segundo a Itatiaia, só a primeira foi quitada. O Cruzeiro confirmou o acionamento, mas não detalhou valores em aberto. O Grêmio não respondeu.
A compra não foi uma escolha isolada do Grêmio. Marlon estava emprestado e a transferência virou definitiva quando ele bateu a meta de jogos prevista no contrato. É um modelo comum no mercado brasileiro: empréstimo com obrigação de compra atrelada a desempenho. O problema aparece quando a obrigação dispara num ano em que o caixa não acompanha.
O lateral tem contrato com o Grêmio até 2028 e soma 22 jogos, um gol e uma assistência na temporada. Esportivamente, a compra se justificou. Financeiramente, virou passivo em disputa.
O contexto do Grêmio ajuda a ler o atraso. O clube passou dez meses sem patrocínio master e só nesta semana fechou com a Pitaco. Um atraso em parcela de transferência não é detalhe para quem está reorganizando a receita.
Para o Cruzeiro, a CNRD é o caminho mais rápido. O regulamento da câmara prevê sanções esportivas ao devedor, como restrição ao registro de novos atletas, o que costuma acelerar acordo. Por isso, boa parte desses casos termina em renegociação antes do julgamento.
O ponto a observar é a janela de transferências de janeiro. Se o Grêmio quiser registrar reforços para 2027, vai precisar resolver a dívida com o Cruzeiro antes. É aí que a cobrança ganha peso real.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA




