R$ 27 milhões que venceram em 25 de setembro não saíram do caixa do Corinthians. E o credor concordou.
Segundo apuração do portal Meu Timão, confirmada pela Gazeta Esportiva, o clube acertou com a Caixa a suspensão temporária da terceira parcela de 2026 do financiamento da Neo Química Arena. As duas primeiras prestações do ano foram pagas. O saldo da dívida é estimado em R$ 630 milhões.
A pausa não é calote negociado, é tempo comprado para uma operação maior. A proposta principal em discussão, de acordo com a Gazeta, é que a Caixa assuma a exploração dos naming rights do estádio como parte do encerramento do débito. O pacote inclui ainda títulos de capitalização, a transferência das operações bancárias do clube para o banco (contas e folha salarial) e cartões vinculados ao Fiel Torcedor.
Há um segundo número igual ao primeiro. O contrato de renegociação assinado em 2022 prevê uma conta reserva, hoje com cerca de R$ 27 milhões, segundo a reportagem. O Corinthians quer esse dinheiro de volta, com o argumento de que está adimplente. Somando a parcela não paga e a reserva, são R$ 54 milhões de fôlego em jogo.
O motivo da pressa está no balancete. O clube fechou julho com déficit acumulado de R$ 278,7 milhões, contra previsão orçamentária de R$ 77,8 milhões, mesmo com receita operacional acima da meta (R$ 472 milhões, ante R$ 403 milhões projetados). O problema não é arrecadação, é custo.
Para o mercado, a consequência é direta. Se a Caixa ficar com o nome da arena, sai de circulação uma das propriedades comerciais mais valiosas do clube, e o Corinthians troca uma receita futura por alívio de passivo. Faz sentido para quem não consegue pagar a parcela. Custa caro para quem um dia quiser vender esse ativo a preço cheio.
A reportagem não informa prazo para a conclusão das conversas nem por quanto tempo vale a suspensão. A próxima parcela do contrato é o marco a observar: se também não for paga, a pausa deixou de ser temporária.
Foto: Gustavo Vasco/Corinthians




