O Corinthians tem 15 dias para tirar do uniforme um contrato de R$ 22 milhões. A Vara da Infância e Juventude do Foro Regional do Tatuapé suspendeu os efeitos do patrocínio da Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto anunciada pelo clube em julho. A decisão foi noticiada pelo Lance!.
O acordo valia até dezembro de 2027 e cobria futebol masculino, futsal e basquete. No feminino, a exposição seguia um modelo próprio, ligado a campanhas de conscientização. A reportagem não informa quanto dos R$ 22 milhões já entrou no caixa, e esse é o número que define o tamanho do buraco.
A ação é do Ministério Público de São Paulo e corre em segredo de justiça. O argumento é que a divulgação da marca nos canais do clube alcança "expressivo público infantojuvenil" e representa risco ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. A juíza mandou retirar ou cobrir a marca em uniformes, espaços esportivos e canais digitais, remover os links para a plataforma e adotar mecanismos de verificação de idade.
A Fatal Fans pertence ao grupo Atlas Technologies e sustenta que tem barreiras contra o acesso de menores. Até a publicação, a empresa não havia se manifestado sobre a decisão. O Corinthians informou que ainda não tinha sido notificado.
O momento não poderia ser pior. O clube acumulou déficit de R$ 278,7 milhões até julho, sem receita de venda de atletas, e a medida provisória do governo federal contra as casas de aposta, publicada em 25 de setembro, já pressiona a receita de patrocínio do futebol brasileiro. Em menos de dez dias, duas categorias de anunciante passaram a ser barradas por ordem do Estado.
Para o mercado, o recado vai além do Parque São Jorge. Clube que pensar em plataforma adulta como substituta das bets agora tem um precedente contra, vindo da Vara da Infância.
O que observar: se o Corinthians recorre ou aceita a suspensão, e o que o contrato prevê sobre devolução de valores quando a exposição é interrompida por decisão judicial.
Foto: Abraão Soares/Onzex Press e Imagens/Folhapress




