O Corinthians encontrou dinheiro rápido na bilheteria. O problema é que a bilheteria já tem dono até 2032.
Segundo o ge, o clube assinou nesta sexta um memorando de entendimentos com a Fever para transferir à empresa a tecnologia do Fiel Torcedor, a emissão de ingressos e a bilheteria da Neo Química Arena. O desenho, de 15 anos, prevê adiantamento de R$ 50 milhões, que o clube devolve se o contrato definitivo não for assinado, além de linhas de antecipação de recebíveis de até R$ 250 milhões a CDI mais 4% ao ano. O pacote inclui ainda patrocínio de camisa. Os termos foram reproduzidos pelo Piranot e pelo Central do Timão.
O destino do adiantamento mostra o tamanho do aperto. De acordo com a apuração, o dinheiro pagaria três meses de direito de imagem, férias e premiações do elenco, pouco mais de R$ 19 milhões à PGFN e duas parcelas atrasadas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF. Em setembro, a PGFN já tinha notificado o clube por R$ 20,5 milhões em atraso, com risco de rescisão do parcelamento.
A One Fan, atual operadora, reagiu no mesmo dia com notificação extrajudicial ao presidente Osmar Stábile e ao presidente do Conselho, Romeu Tuma Júnior. A empresa diz que a saída sem motivo exige aviso de 12 meses e multa de dez vezes o faturamento bruto médio mensal, mais a devolução proporcional das luvas. Pela conta da One Fan, seriam R$ 30 milhões. A gestão corintiana avalia o valor como bem menor. A empresa fala em ação judicial, medidas criminais e queixa à Anresf, e afirma ainda que o clube acumula meses de repasses em aberto.
A troca, portanto, só gera caixa líquido se a multa sair barata. O ponto a observar é a assinatura do contrato definitivo com a Fever: é nela que o adiantamento deixa de ser empréstimo e a briga com a One Fan sai do papel.
Foto: Divulgação/Corinthians




