O Corinthians arrecadou mais do que previa e, mesmo assim, perdeu três vezes mais do que tinha orçado. O balancete de julho mostra déficit de R$ 278,7 milhões nos sete primeiros meses do ano, contra uma previsão de R$ 77,8 milhões negativos.
A receita não foi o problema. O clube faturou R$ 472 milhões de receita operacional bruta, acima dos R$ 403 milhões projetados, segundo a Gazeta Esportiva. Patrocínio respondeu por R$ 167,5 milhões, direitos de TV por R$ 138,3 milhões, marca e outras atividades por R$ 88,3 milhões e bilheteria por R$ 54 milhões.
O buraco está numa linha só. O orçamento contava com R$ 150 milhões em venda e empréstimo de atletas até julho. Entrou zero. A diretoria diz que o ano não acabou e que uma venda ainda pode sair até dezembro.
O balanço patrimonial ajuda a dimensionar o risco. O passivo de curto prazo soma R$ 1,14 bilhão, o de longo prazo R$ 2,21 bilhões, e o patrimônio líquido está negativo em R$ 1,05 bilhão. As despesas financeiras chegaram a R$ 171 milhões no período, mais que a receita de bilheteria do clube multiplicada por três.
A comparação anual é a mais dura. Em julho de 2025, o déficit acumulado era de R$ 103,1 milhões. Em um ano, quase triplicou. E só o mês de julho acrescentou R$ 32,6 milhões ao rombo que em junho estava em R$ 246 milhões.
Há ainda um fator que não aparece no balancete. Com a MP que proíbe as bets, o patrocínio, que é a maior fonte de receita do clube, fica sob pressão justamente no segundo semestre.
O que observar: se a janela de dezembro traz a venda que o orçamento prometia e como a diretoria vai recompor a linha de patrocínio. Sem as duas coisas, o fechamento de 2026 pode sair bem pior que o número de julho.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians




