O Corinthians ganhou um ano de fôlego, não um desconto. Segundo apurou o ge, o clube acertou com a Caixa Econômica Federal a suspensão por 12 meses do pagamento das parcelas da dívida da Neo Química Arena, de R$ 630 milhões, e da retenção de receitas que o banco aplicava como garantia.
A retenção é o ponto que mais mexe no fluxo de caixa. Pelo contrato de 2022, a Caixa ficava com 55% da bilheteria e 50% das premiações esportivas do clube. Com a pausa, esse dinheiro volta a entrar direto no Corinthians durante a vigência do acordo. O clube também recuperou R$ 13,5 milhões de uma conta reserva de R$ 27 milhões e usou o valor para quitar salários atrasados do elenco masculino. Os números foram reunidos pelo BPMoney.
O alívio chega num momento crítico. Salários e outros pagamentos estão atrasados desde maio, incluindo premiações de Libertadores e Brasileirão e dois meses de direito de imagem. A dívida total do clube gira em torno de R$ 2,8 bilhões. A nota conjunta de clube e banco fala apenas em avanço nas conversas e não menciona a suspensão de forma explícita.
O que a pausa não muda é o tamanho da conta. O contrato prevê quitação até dezembro de 2041, com amortizações crescentes desde 2025 e juros de CDI mais 2% ao ano correndo desde 2023. Um ano sem pagar não apaga esses juros.
A saída que o Corinthians desenha é comercial. A proposta é que a Caixa assuma os naming rights da arena, hoje com a Hypera, além de títulos de capitalização, folha de pagamento e cartões ligados ao Fiel Torcedor. O clube estima que o nome do estádio poderia valer cerca de R$ 70 milhões por temporada, contra os cerca de R$ 15 milhões corrigidos que a Hypera paga desde 2020.
O ponto a observar é se esse pacote vira contrato antes do fim da carência. Sem ele, a conta volta inteira em 2027.
Foto: Fernando Bueno/Corinthians




