A dívida do estádio do Corinthians com a Caixa passa de R$ 640 milhões, e a moeda que o clube tem para oferecer é o próprio nome da arena. Na sexta-feira, em Brasília, as partes assinaram um termo de confidencialidade que abre a fase de troca de números, numa reunião com o ministro Guilherme Boulos e integrantes da Gaviões da Fiel.
O termo não perdoa, não paga e não altera o saldo. Ele permite que as partes compartilhem informações reservadas para avaliar a renegociação. O desenho em discussão é transferir o naming rights da Neo Química Arena para o banco. Segundo o MKT Esportivo, a proposta seria de dez anos, estimada em R$ 70 milhões por ano. O Poder360 fala em 15 anos. Nenhum dos dois prazos foi confirmado pelas partes.
O obstáculo tem nome: Hypera Pharma. O contrato atual, assinado em setembro de 2020, vale R$ 300 milhões por 20 anos, o que dá R$ 15 milhões por ano. Se a estimativa de R$ 70 milhões anuais estiver certa, a Caixa pagaria mais que quatro vezes o valor atual. Mas tirar a Hypera do nome do estádio exige negociar o fim ou a alteração do contrato, o que pode envolver compensação financeira.
No curto prazo, a Caixa já deu fôlego ao caixa do clube. Liberou R$ 27 milhões em garantias, suspendeu uma parcela de R$ 28 milhões referente a agosto e encerrou a retenção automática de R$ 2 milhões por jogo na bilheteria. São medidas de fluxo de caixa, não de redução da dívida, que se soma a um passivo total estimado em R$ 2,8 bilhões.
O calendário é o próximo dado a observar. Há nova reunião prevista para segunda-feira, dia 19, e o clube quer assinar na semana que vem, possivelmente com a presença do presidente Lula. A ESPN, citada pelo MKT Esportivo, fala em mais duas ou três semanas de conversa, com definição possível depois do segundo turno, em 25 de outubro.
Foto: Carlos Fernando/Neo Química Arena




