Direito de imagem é a parte da remuneração que o clube costuma usar como colchão quando o caixa aperta. O Corinthians já gastou dois meses desse colchão.
Segundo a Gazeta Esportiva, o valor referente a junho deveria ter sido pago em 20 de julho e segue pendente. O pagamento previsto para a última quinta-feira, referente a julho, também não saiu. Há ainda premiações do Brasileirão e da Libertadores represadas. A diretoria trabalha para regularizar ao menos um dos meses nos próximos dias.
O problema aqui não é o tamanho da dívida acumulada, que já é conhecido, é a velocidade do caixa. Atrasar salário por uma semana é fluxo. Atrasar direito de imagem por dois meses seguidos, com premiação parada junto, é outra categoria de aperto, porque significa que a receita que entra não está cobrindo nem a obrigação mensal com quem joga.
E a válvula de escape usual está fechada. O clube carrega três transfer bans por dívidas de R$ 21,5 milhões, o que impede o registro de novos atletas. Na prática isso trava os dois lados da operação de mercado, que é justamente a alavanca que um clube brasileiro puxa quando precisa antecipar receita. Sem poder registrar, sobra vender sem repor, e vender sem repor tem custo esportivo imediato.
O efeito na negociação também é concreto. Um elenco com pagamento em atraso perde poder de barganha do lado do clube em qualquer conversa de renovação, e ganha argumento do lado do jogador.
O que observar a seguir é se o clube quita ao menos um dos meses ainda nesta semana e se algum dos transfer bans cai. Enquanto os dois números não se mexerem, o debate societário que corre em paralelo no Parque São Jorge segue sendo discussão sobre o telhado de uma casa que está com problema no encanamento.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians




